Henrique Antonio Kipper fala com exclusividade ao Palco Local sobre seus projetos e sua trajetória

0
624
Página dupla da HQ
Página dupla da HQ "Mondo Muerto 2"

Uma figura muito popular no universo gótico, o jornalista, ilustrador, promotor de eventos e grande incentivador da cena Henrique Antonio Kipper, ou simplesmente Kipper como é conhecido, dispensou um pouco do seu corrido tempo para nos contar sobre sua carreira, seu estilo de vida e também sobre seus projetos que tem trazido muita informação e disseminado a subcultura gótica no Brasil.

Palco Local: Defina quem é o Kipper na sua própria visão.

Acredito naquela máxima que “para todo problema complexo existe uma resposta simples invariavelmente ERRADA” (risos). Acredito que entre o isso ou aquilo existem 500 tons de verdade, o que não exclui outros 5000 tons de mentira. Por isso sinto nossa época maniqueísta de respostas binárias em 144 caracteres como o último círculo do inferno. Como crítico e professor procuro ensinar as pessoas a verem as relações ocultas entre as questões e problemas.

Henrique Antonio Kipper

Palco Local: Sabemos que Sua história com o mundo da imprensa e da ilustração é antiga. Você trabalhou com grandes veículos de comunicação, deixou e continua deixando marcas do seu trabalho aqui no Brasil e também no exterior, gostaria de saber se há nessa trajetória algo ou algum trabalho que mais tenha te marcado e que tenha um significado especial até os dias de hoje.

Nossa, é difícil separar uma coisa só, pois trabalhei em tantos lugares e projetos … acho que posso demarcar “fases”. A fase inicial de 1987 a 1991 como Chargista político e “tirista” foi importante. Na sequência as primeiras experiências com quadrinho
internacional marcaram uma mudança e enriquecimento do estilo de ilustração, especialmente a partir de 1994. O período 1994 a 98 foi marcado por uma intensa experimentação, foi a fase inicial na Folha de S. Paulo. Depois coloquei isso muito em prática enquanto morei em Portugal e trabalhei na imprensa Portuguesa (1999-2002). Na mesma época, o FRONT virou uma publicação periódica (inclusive este ano a edição comemorativa de 15 anos do FRONT concorre em duas categorias do HQMIX).

A happy house in a black planet - Introdução a subcultura gótica
A happy house in a black planet – Introdução a subcultura gótica

Palco Local: Desde quando você dedica a arte da ilustração?

Henrique Antonio Kipper: Todo mundo desenha desde criança, e um dia pára. No meu caso, eu não parei. Mas creio que entre os 11 e 12 anos decidi treinar com mais método e disciplina até começar a trabalhar profissionalmente como chargista e ilustrador aos 17 anos. Aliás, completando 30 anos disso (risos).

Palco Local: Qual seu artista preferido e quais suas principais influências?

Henrique Antonio Kipper: São muitos artistas e escolas… um amigo definiu meu desenho como as esculturas da ilha de Páscoa pintadas pelo Andy Warhol, e isso foi perfeito pois sempre imaginei como seria uma pintura expressionista realizada com conceitos de POP-Art. De fato , como no expressionismo fiz uma boa pesquisa de arte africana e polinésia.

Palco Local: Você tem um grande envolvimento com a subcultura gótica. Qual sua visão sobre a cena atualmente no Brasil?

Henrique Antonio Kipper: Participo como público desde 1990 e a partir de 2004 passei para o lado de realizador, em várias áreas. Passei por diversas fases da cena brasileira, creio que não há espaço para saudosismo, que só atrapalha e prejudica a todos. Creio que hoje está melhor do que no passado, em vários aspectos.

Palco Local: Dentro do estilo, quais suas principais preferências musicais?
Como DJ e organizador de ventos, além de organizar um ABC de Bandas, a gente acaba desenvolvendo 100 bandas preferidas (risos). Mas as referências básicas passam pelas clássicas Siouxsie and The Banshee, Bauhaus, The Cure, The Sisters of Mercy, Clan Of Xymox, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Nick Cave & The Bad Seeds, Mission, Christian Death, Specimen, avançando no tempo para Switchblade Symphony, SOpor Aeternus, Londo After Midnight, Lacrimosa, Wolfsheim, Diva Destruction, Cinema Strange,
Diary of Dreams, Ego Likeness, Cruxshadows, Blutengel, por aí vai 🙂

Palco Local: Você promove festas e eventos góticos através do projeto Absinthe, correto? Como funciona? Existe uma agenda pre-definida? Quais os próximos eventos?

Henrique Antonio Kipper: Realizamos, eu e minha esposa, eventos desde 2004. O Absinthe foi nossa festa fixa de 2010 a 2015. Desde então realizamos a festa GOTHIC21.

Palco Local: Hoje você mantém a publicação da revista Gothic Station, que por sinal é primeira publicação do gênero no Brasil. De onde surgiu a ideia?

Henrique Antonio Kipper: A mídia musical mainstream abandonou a subcultura gótica lá por 1990. Em outros países se desenvolveu uma micro-mídia gótica própria e especializada.
Estávamos atrasados nesse aspecto. Mas antes de concluir que a única saída era desenvolver mídia subcultural especializada tentei por algum tempo colaborar com a mídia musical mainstream para infelizmente descobrir que alguns estilos alternativos são levados a sério e outros não. A mídia musical mainstream trabalha com o mito de que o gótico acabou nos anos 80 e tudo depois é apenas revival ou influência…
e rejeita qualquer informação em contrário, mesmo que seja correta e verdadeira. Também vi que o gótico era sempre o “português” das piadas alternativas, por isso também resolvi desenvolver uma tira de humor do ponto de vista dos góticos, o Mondo Muerto.
Também por isso a partir de 2008 publiquei (em papel e grátis online) meu livro Happy House in a Black Planet: uma introdução a subcultura gótica e nosso site Gothic Station.

Revista Gothic Station
Revista Gothic Station

Palco Local: Quais as dificuldades atualmente para manter uma publicação impressa? Ser algo tão focado e específico ajuda ou dificulta a publicação?

Henrique Antonio Kipper: A única dificuldade material é conseguir divulgação e vender rs. Existem revistas tão ou mais focadas que existem há muito tempo, isso não é uma dificuldade. Talvez a dificuldade subjetiva seja fazer as pessoas acreditarem que merecem coisas (CDs, shows, festas, revistas, roupas, etc) de qualidade, quebrando paradigmas do underground do século passado.

Conheça um pouco da revista Revista Gothic Station

Palco Local: Existe um financiamento coletivo para publicação da segunda edição da revista, poderia nos contar um pouco como funciona?

Henrique Antonio Kipper: O sistema de crowdfunding (financiamento coletivo) existe há muitos anos mesmo no Brasil. A cena de quadrinho independente do Brasil teve um boom desde 2009 mais ou menos baseada nesse sistema, pelo Catarse. É similar ao Kickstarter lá fora, e muitos outros. É um sistema totalmente confiável em que as pessoas apoiam um projeto em que acreditam financiando-o com antecedência.

Palco Local: Como o público pode conhecer e adquirir a revista Gothic Station?

Henrique Antonio Kipper: O pessoal pode apoiar a edição 2 até 10 de agosto pelo link:
https://www.catarse.me/revista_gothic_station_2 e depois pela loja:
https://gothicstatio.minhalojanouol.com.br/
Acompanhe novidades pela página:
https://www.facebook.com/Gothic-Station-173357889371831/
Conheça o tradicional site:
http://www.gothicstation.com.br/

DEIXE UMA RESPOSTA