Loop B, um dos grandes nomes brasileiros da música experimental, fala ao Palco Local

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Loop B - Foto: Gladston Barreto
Loop B - Foto: Gladston Barreto

A música experimental, em linhas gerais, é feita para poucos. Não é novidade que o público em geral costuma consumir músicas com maiores apelos comerciais, no entanto há um mar imenso de bandas muito boas que fazem música pensada para atender esse público e nunca chegam a atingir um público expressivo, e se é difícil para uma banda tida como “normal” permanecer muito tempo na estrada e ainda ter reconhecimento por seu trabalho, imagine como é para alguém que cria músicas não convencionais, com instrumentos menos convencionais ainda.

Loop B - Foto: Gladston Barreto
Loop B – Foto: Gladston Barreto

Pois aqui temos um nome que conquistou bravamente seu espaço e o mantém há décadas mostrando-se cada dia mais criativo. Loop B é um músico, compositor e produtor musical que extrai sons e melodias de instrumentos encontrados na rua, de sucata e de coisas improváveis, como é o caso da perna de um manequim. Influenciado especialmente por nomes consagrados da música experimental como a alemã Einstuerzende Neubauten e o brasileiríssimo Hermeto Paschoal, Loop B segue seu próprio caminho, criando uma identidade peculiar e única.

O Palco Local o entrevistou buscando, a exemplo de seu estilo musical, explorar perguntas fora de clichês. Leia a abaixo a entrevista e use os links no final para conhecer melhor o artista.

Palco Local: Para aqueles que estão te conhecendo através desta entrevista, poderia nos dizer quem é Loop B?

Loop B: Sou músico e produtor. Componho usando o computador. Mas o meu forte é a percussão: toco qualquer coisa que apareça pela frente rsrsrs. Meu desafio é tirar som de objetos e coisas de sucata que vou encontrando, e “fazer música” com isso.

Palco Local: Em qual ou quais gêneros musicais pode ser encaixada a sua música?

Loop B: Meu trabalho é multifacetado, não me encaixo muito em nenhum estilo. Acho que isso me atrapalha mais do que ajuda. Minhas músicas transitam por alguns universos: música eletrônica, música experimental, música industrial, música eletrônica brasileira, música de livre improvisação; alem destes estilos, tem a história de tocar com objetos e com instrumentos de percussão de sucata, que me parece inclassificável.

Palco Local: A música do Loop B foge ao convencional. O que te fez partir para esse gênero? Como começou sua inclinação para esse tipo de música?

Loop B: Não foi uma escolha consciente. O que me fez partir para esse “gênero” foi o impulso autodidata. Eu fui fazendo música e logo percebi que estava trilhando um caminho um pouco diferente. Primeiro eu sai fazendo e depois fui descobrir o que eu estava fazendo, fiz primeiro para depois descobrir onde me encaixava, se é que me encaixo em algum lugar rsrsrs. Meu caminho sempre foi bastante pessoal, não que eu não quisesse fazer algo pop, por exemplo, mas não sei fazer, não tenho talento para isso; meu talento é todo voltado para experimentar.

Palco Local: A influência da banda alemã Einstuerzende Neubauten fica bem clara, talvez não exatamente no resultado final, mas mais nos artifícios usados para produzir a música. Quais são suas outras influências?

Loop B: Neubauten sem dúvida, Hermeto Paschoal também. Na percussão é mais claro. Na eletrônica é mais vago, provavelmente Kraftwerk.

Palco Local: Dentre estes inúmeros instrumentos tão peculiares que você usa, existe algum especial, aquele que mais te agrada?

Loop B: Tenho alguns favoritos. O tanque de gasolina de chevette, a bala de canhão e o cone de trânsito são os que tenho usado mais nos últimos anos.

Palco Local: Pelos registros que consegui buscar, você esteve por 3 vezes (1995, 1997 e 1998) no Curupira Rock Club em Guaramirim/SC (cidade vizinha de Jaraguá do Sul, onde nasceu o Palco Local). Guarda lembranças desses shows? Quais foram suas impressões do público e da cena por aqui?

Loop B: Tenho ótimas lembranças de Curupira: das apresentações, do local, da galera, da receptividade do Edson e sua família. Gostaria muito de voltar a tocar no Curupira.

Palco Local: O meio underground e alternativo é um admirador quase que unânime do seu trabalho. Como as pessoas que estão fora desse circuito encaram a música do Loop B?

Loop B: Fora do circuito underground, eu toco bastante em SESC; e o pessoal tem gostado. Meu som está mais acessível atualmente, continua maluco e esquisito, mas também divertido. Tenho tido experiências interessantes, com públicos bem variados, inclusive um pessoal mais velho, e surpreendentemente a aceitação é muito boa.

Palco Local: Como músico experiente e com tantos anos de estrada, qual seria seu conselho para aqueles que queiram seguir um caminho parecido?

Loop B: Não sei se é válido para todo mundo, mas para mim duas coisas foram importantes: não ter expectativa e insistir no meu caminho. Se você segue um caminho pessoal, acaba virando referência.

Conheça mais o Loop B em sua página no Facebook e assista outros vídeos:

https://www.facebook.com/LoopB/?fref=ts

http://globoplay.globo.com/v/2139031/

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