Macloys Aquino, da banda Carne Doce, fala exclusivamente ao Palco Local após sua passagem pelo Psicodália

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Carne Doce no Festival Sai da Rede 2017 - CCBB BH © Flávio Charchar
Carne Doce no Festival Sai da Rede 2017 - CCBB BH © Flávio Charchar

Carne Doce foi a banda que abriu o maravilhoso line up do festival multicultural Psicodália, realizado entre os dias 09 e 14 de fevereiro de 2018 na Fazenda Evaristo em Rio Negrinho/SC.

Formada em 2013 em Goiânia/GO, a banda tem em sua discografia um EP e dois álbuns, sendo o último o álbum Princesa (2016), o qual está muito bem posicionado em listas de vários veículos de comunicação respeitados do meio.

Macloys Aquino, o qual é guitarrista da banda e também companheiro da vocalista Salma Jô, dispensou de seu tempo para nos conceder esta entrevista exclusiva. Confira abaixo, curta e compartilhe com seus contatos.

Palco Local – Antes de qualquer coisa, eu gostaria de parabenizar pelo trabalho que vocês tem apresentado ao Brasil, canções fortes em todos os sentidos e é disso que o cenário atual precisa. Creio que artistas como vocês dão o devido valor ao que chamamos de música brasileira. E falando em música brasileira, vocês estiveram no primeiro dia do Festival Multicultural Psicodália 2018 ao lado de outros tantos nomes da música brasileira, tanto novos quanto veteranos. Como foi a experiência de tocar nesse festival, quais impressões levaram daqui?

Macloys Aquino – Foi incrível porque as pessoas estavam afim, estavam soltas, muito animadas. Com essa resposta tão rápida e contagiante, entregamos um bom show. A energia do festival é muito boa. Um dos fatores decisivos pra isso é a falta de sinal de celular em toda fazenda. Sem internet, as pessoas se veem mais, se sentem mais, interagem. Isso acontece não só nos shows, mas em toda experiência do festival. Por outro lado, sinto que, no Sul, o indie rock é mais aceito que em outras partes do país.

Palco Local – Vi em uma entrevista que vocês concederam para um site onde relatam que a banda surgiu a partir da dissolução das bandas que da Salma e do Macloys. E que cantavam em inglês e decidiram cantar em português na Carne Doce. Isso foi algo pensando, algo estratégico para ganhar o mercado ou algo que aconteceu por acaso?

Macloys Aquino – Nem um, nem outro. Na ex-banda da Salma, ela entrou como backing vocal e o projeto já era cantando em inglês, ela apenas seguiu. Minha antiga banda cantava em português. No Carne Doce, a Salma simplesmente exercita um impulso de se expressar em sua própria língua, da forma mais sincera possível.

Palco Local – Ainda dentro da segunda pergunta, percebe-se que no cenário do rock e da música em geral existem preconceitos que são difíceis de quebrar. A banda que toca cover, a banda que canta inglês, a banda que toca instrumental, etc. Certa vez eu até vi uma discussão em uma rede social entre guitarristas onde um dizia ao outro que quem gosta de solo é minhoca. Vocês sentem ou já sentiram preconceito em algum momento por conta do caminho que escolheram pra banda?

Macloys Aquino –Não, porque trabalhamos com público de nicho. Uma vez, abrindo pra Pabllo Vittar, tocamos pra três mil pessoas silenciosas, que só esperavam Pabllo. Nem nesse caso senti preconceito, apenas diferença de público mesmo.

Palco Local – Lá vem aquela pergunta(!). Sei que é difícil rotular uma banda e algumas vezes acho isso um tanto injusto, pois acaba impondo certos limites. Mas vocês, assim como ouitros nomes na música brasileira, tem sido colocados como Neo-MPB ou Neo-Tropicalismo, como vocês encaram isso e como se autodefinem?

Macloys Aquino –Existem artistas contemporâneos que se inspiram naquela MPB e até repetem moldes, talvez uma neo-MPB, não é o nosso caso. Neo-Tropicalismo não existe, tropicalismo era outro contexto político e estético. De qualquer forma, quem rotula são jornalistas e críticos, estamos aqui para negar ou, quem sabe, se apropriar desses conceitos.

Palco Local – Percebo que a música brasileira tem passado por uma renovação nos últimos anos e creio que vocês fazem parte disso, assim como Boogarins, Bixiga 70, Francisco el Hombre, Ava Rocha, Negro Leo, Liniker, e outros. E ao mesmo tempo percebemos muitas bandas, principalmente nos cenários locais, tentando repetir o que foi o rock lá nos anos 80 e 90, mas sem muito avanço enquanto estes músicos acabam recebendo atenção de outros países. O que vocês acham que contribuiu para que a Carne Doce tivesse esse reconhecimento? Existe uma receita que outros músicos possam seguir?

Macloys Aquino –São tantos os fatores que influenciam na aparição de uma banda, desde a qualidade poética, imagética, sonora, contexto político e cultural, até questões de mercado, assessoria de imprensa, marketing… Tentamos atacar com qualidade em todas as frentes, acertamos algumas, erramos noutras. Mas é crucial fazer música boa e ser profissional, entender seu projeto cultural como negócio.

Palco Local – Daria pra enumerar algumas principais influências da banda?

Macloys Aquino –São muitas e muito variadas, as diferenças de idade e de predileção entre os membros geram essa mistura mas também a indefinição no que é influência principal para a banda.

Palco Local – Vocês já fizeram ou tem planos de fazer turnê pra outros países?

Macloys Aquino –Já pensamos, mas em todas oportunidades os custos ficariam muito altos e abandonamos. Pra ir, teríamos, antes, de ter uma demanda ou ao menos oportunidade real de desenvolver isso fora, ainda não descobrimos como fazer isso.

Palco Local – O último álbum da banda é Princesa (2016), correto? Inclusive está bem posicionado em listas de grandes veículos especializados. Estão trabalhando em um novo álbum? O que o público pode esperar da Carne Doce daqui pra frente?

Macloys Aquino –Já temos algumas músicas prontas e elas me soam mais maduras, menos ansiosas, menos barulhentas mas não menos pesadas, talvez mais introspectivas. Estamos explorando uma beleza nova, estou gostando muito das novas.

Palco Local – Além de vocês, temos o Boogarins que veio de Goiania e outras bandas mais barulhentas, mas igualmente talentosas, como Overfuzz e Helbenders. A cena musical de Goinaia é forte e unida ou passa pelos mesmos perrengues que existem em outros cantos do Brasil?

Macloys Aquino – Não é forte nem unida. Boogarins há muito tempo não é “uma banda de Goiânia” e nós temos uma agenda bem restrita na cidade. Houve no passado uma cena capitaneada pelos festivais e selos, mas que com o tempo se fragmentou. Hoje é muito cada um por si. A “cena” estofa as bandas com alguns profissionais e poucas casas de show, não mais que isso.

Palco Local – Pra concluir, há algum lugar ou festival especial onde gostariam de tocar e ainda ticeram a oportunidade?

Macloys Aquino – Gostaríamos de tocar em Belém e em Londrina, sempre pedem nosso show nessas cidades. Esse ano deve rolar.

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