Ottavio Lourenço, escritor, compositor e vocalista da banda Choke concede entrevista ao Palco Local.

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Ottavio Lourenço

Reconhecido no Brasil e em vários outros países por sua arte, tanto na música quanto na literatura, Ottavio Lourenço esbanja simplicidade e humildade falando ao Palco Local sobre sua carreira, música, literatura e muito mais. Confira!

Palco Local – Poderia nos contar um pouco da sua trajetória na música? Desde quando está envolvido profissionalmente com a música?

Ottavio Lourenço – Estou conectado com a música, e por consequência com a vida cultural desde 1993, foi neste ano que formei e fiz parte de minha primeira experiência musical. Precisamente a partir de 1997 quando isso se efetivou como profissão ou trabalho por assim dizer.

Palco Local – A banda Choke foi formada em 1998 e está firme até os dias de hoje. Na sua opinião qual foi a maior conquista da banda até agora e quais os objetivos daqui pra frente?

Banda Choke

Ottavio Lourenço – Estar vivendo de música e para música num país como o nosso já é uma grande vitória e causa algum sentimento de realização… Pois a arte e a cultura em suas diferentes abordagens e perspectivas não possui devida condição para o desenvolvimento e consolidação, e o apoio é quase nulo da iniciativa privada e pública (digo no sentido horizontal das oportunidades e situações).  Realizar turnês e possuir enorme aceitação e repercussão em grande parte da America do sul, para nós, segue a ser algo incrível! E o adiante é realizar a tour na Europa, fato que recebemos diversos convites e desejamos realizar com a gravação de nosso novo álbum.

Palco Local – Além da banda Choke, você participou da banda Necrotério, ambas com bases no metal. Poderia nos revelar um pouco da sua preferência musical além do som pesado? O que mais Ottavio Lourenço gosta de ouvir?

Ottavio Lourenço – Sim, participei da formação do Necrotério (banda brasileira que foi pioneira em realizar turnê em países latino-americanos)… Eu particularmente escuto muitas bandas do cenário do rock latino, e também outras sonoridades como Bajo Fondo e Gotan Project entre outras.

Palco Local – E daquilo que há de novo no cenário musical, com o que você se identifica? Consegue citar alguma banda nova que te surpreendeu nos últimos tempos?

Ottavio Lourenço – Olha, algo surpreendente é incomum encontrar… Mas citando bandas brasileiras: o Eutha (ex – Euthanasia de Floripa/São José) segue sendo uma banda espetacular. No cenário mundial gosto muito da proposta dos suecos do Deathstars, Katatônia (Que apesar de mais antiga na cena teve uma mudança musical notável) e dos franceses do Sidilarsen.

Palco Local – Curitiba é, indiscutivelmente, um núcleo artístico muito forte e de onde exala muita criatividade. No entanto, muitas bandas e cantores, mesmo com muito talento, não conseguem se fazer conhecidos fora de Curitiba. A que você atribui isso e o que pode ser feito para reverter isso?

Ottavio Lourenço – Não é um privilégio do cenário curitibano. Muitos artistas, músicos e bandas não recebem ou obtém o merecido e devido espaço midiático ou radiofônico. Discordo em certo ponto com esta visão equivocada, pois vejamos: Motorocker, Karol Conka e Nairobi têm algum espaço e reconhecimento nacional na música em seus diferentes gêneros musicais. Quando citamos o teatro, por exemplo, Curitiba possui um dos maiores festivais do Brasil e America do sul, além de muitíssimos atores, atrizes e diretores que tem um trabalho significativo e relevante como o diretor de cinema e roteirista Paulo Biscaia… Na literatura: Dalton Trevisan, Marden Machado, Cesar Tridapalli, Luci Collin, Andréia Gavita e Jefferson Ferraz entre outros. Creio que grande parte dos artistas, escritores e bandas já realizam seu trabalho, cabe também ao público o interesse de buscar o que não é convencional e que se encontra fora do eixo comum.

Palco Local – Além da música, você tem uma relação estreita com a literatura. Quantos livros voce já publicou?

Ottavio Lourenço – Sim, também sou letrista e escritor. Já foram editados quatro livros, sendo quatro com edições publicadas no Brasil, e um com edição/ publicação em Portugal, e outra edição na Itália.

Palco Local – Poderia nos contar um pouco sobre sua motivação para escrever o seu último livro “DIAS DE HOJE, ONTEM E RETORNO DO AMANHÔ?

Ottavio Lourenço – A motivação foi demonstrar com a minha escrita: as pessoas, os fatos, as viagens, as músicas e bandas que escuto… Este livro foi escrito entre o período de 2011 a 2016. Compartilhar este tempo de vivência e diferentes experiências com a Choke e o que está conectado a literatura que realizo.

Os limites da linguagem são os limites do pensamento? Penso o que é a linguagem? Ludwig Wittgenstein sustenta-me que a
linguagem e a escrita nos fornece um retrato do mundo. Imagens e situações que presumo que precisavam ser mostradas aqui de forma simbólica ao invés de ditas, porque vejo que elas simplesmente não podiam ser ditas e eram em determinados momentos indizíveis.
Os textos deste livro foram escritos numa caderneta de anotações durante o período de 2011 até 2016, e em alguns momentos estão semelhantes a um diário, mas em outros são crônicas da vida, aforismos, pensamentos, viagens, caminhos, conversas, encontros e desencontros, música, literatura e filosofia. Ou simplesmente a rotina de produções, dos sentimentos e ideias que me acompanharam. Desde Sombrio e Tropical até algo sobre o meu futuro livro sobre a Transilvânia.

Escrevi para demonstrar o mundo que estou conectado…  Universo este que está atrelado à minha escrita, a música, a filosofia, a arte e as pessoas, e principalmente as pessoas.

Palco Local – Percebe-se que você é uma pessoa que carrega consigo a capacidade de observar as condutas humanas, os comportamentos das pessoas, do mundo em que vivemos. Com base nisso e nesse estilo de vida que vivemos atualmente em meio a conexões fáceis, informação correndo rápido, deturpação de informações e tantas outras coisas, que futuro você vê para nós como pessoas, como comunidade?

Ottavio Lourenço – A perspectiva de mundo é algo muito subjetivo e peculiar a cada ser humano… O imediatismo fútil que vivenciamos não nos favorece, as relações em diferentes esferas estão rasas, e isso justamente é um impedimento em visualizar possibilidades igualitárias. Alteridade para mim segue como um caminho viável de futuro comum respeitoso e com algum equilíbrio.

Ottavio Lourenço

Palco Local – Que recado você deixaria para aquelas pessoas que tem um projeto de escrever um livro, formar uma banda, fazer um filme ou qualquer outra coisa, mas ainda não tirou da gaveta?

Ottavio Lourenço – Meu recado é para que jamais desista de qualquer desejo que seja parte de ti! Pois vivenciar, é crescimento, e por mais senso comum que pareça é sim válida a experiência. Omissão é motivo de arrependimento.

Conheça as obras do artista acessando a página do selo Zeitgeist Selo Editorial

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