Palco Local entrevista o jornalista José Augusto Lemos (Revista Bizz e Banda Chance)

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José Augusto Lemos

José Augusto Lemos mora em Campinas/SP e é jornalista experiente, nome muito conhecido no meio musical, especialmente na cena alternativa e por aqueles que acompanharam a existência da Bizz, revista que foi parte importante na história do rock nacional e com amplo destaque nas décadas de 1980 e 1990. Além da histórica Revista Bizz, Lemos já trabalhou em inúmeras outras revistas de renome, tais como Superinteressante, Mundo Estranho e Viagem & Turismo. O Palco Local realizou uma entrevista com ele sobre sua trajetória no jornalismo, sobre seu envolvimento com a música, trabalhos marcantes e sobre seus projetos para o futuro.

Palco Local: Você esteve à frente da revista Bizz em uma das épocas mais intensas do rock nacional e conheceu de muito perto essa explosão criativa, tanto no cenário pop quanto no independente. Qual entrevista ou matéria foi a mais marcante pra você durante esse período?

José Augusto Lemos: A matéria mais marcante para mim foi, sem dúvida, o “diário de bordo” da turnê brasileira do New Order em 1988, publicado em duas partes. Desde o Joy Division, eles já eram uma das bandas mais importantes da minha vida e foi muito especial acompanhá-los do Rio a Porto Alegre a SP, vendo todos os shows, passagens de som, viajando junto com eles, nos mesmos voos e hotéis, conhecendo-os mais de perto e até conseguindo uma entrevista exclusiva (com Peter Hook), que inicialmente não queriam dar.

Revista Bizz

Palco Local: Como você vê o fato de ter participado ativamente e contribuído tanto para a formação musical de toda uma geração?

José Augusto Lemos: Foi muito gratificante para mim descobrir que havia uma comunidade animadíssima de fãs da Bizz no velho Orkut. As conversas e polêmicas que encontrei ali mostravam que o trabalho de todos que participaram da revista realmente havia contribuído para essa formação musical que você fala. No final de 2014, quando entrei no Facebook, fiquei mais surpreso ainda: havia QUATRO comunidades dedicadas à Bizz, somando mais de sete mil membros. Fui recebido com muito carinho e tive o prazer de conversar com pessoas que se lembravam de quase tudo que eu havia escrito trinta anos atrás! Por causa desses leitores é que toda aquela trabalheira valeu a pena.

Palco Local: Na década de 1980 você teve uma banda chamada Chance que, embora tenha ficado pouco conhecida no cenário nacional, teve e continua tendo uma grande influência na cena independente e para o rock de SP. Como foi essa experiência e quais registros ficaram da banda?

José Augusto Lemos: Foi outra experiência muito gratificante, apesar da banda ter deixado pouquíssimos registros. Chance surgiu com duas faixas — “Samba do Morro” e “O Striptease de Madame X” — na coletânea ‘Não São Paulo’, lançada pela Baratos Afins em dezembro de 1985. Em 1996, quando essa coletânea foi relançada em CD, foi acrescentada, como faixa-bônus, uma terceira música nossa: “Beautiful But True”. Além dessas gravações, fizemos também a trilha-sonora para o longa-metragem ‘Romance’, de Sergio Bianchi. A banda infelizmente só durou de 1984 a 89, mas uma das maiores alegrias da minha vida foi quando nossas músicas foram lançadas na Europa em 2005, através de duas coletâneas dedicadas ao pós-punk brasileiro: ‘The Sexual Life of the Savages’ (selo Soul Jazz, Inglaterra) e ‘Não Wave’ (Man Recordings, Alemanha).

Palco Local: Depois da Chance você teve mais algum envolvimento direto com música? Gravou mais alguma coisa?

José Augusto Lemos: Fiz apenas uma espécie de “álbum solo”, bem cru e rudimentar, chamado ‘Betula alba chamando’, que pode ser encontrado em minha página no Soundcloud. Foi gravado entre 2005 e 6.

Palco Local: Qual foi sua participação no disco O Ápice da banda Vzyadoq Moe?

José Augusto Lemos: Considero uma honra a banda ter me convidado para produzir seu disco de estreia. Até hoje me lembro de ficar, várias vezes, arrepiado no estúdio por causa da qualidade e da força do que estávamos gravando. Além de produzir, acrescentei toques de sampler em algumas faixas (não lembro exatamente quais, mas são citadas no encarte da edição original em vinil). A Marcinha, vocalista do Chance, também foi convidada a fazer uma participação especial, por isso canta em uma das faixas. No show de lançamento do álbum em SP subi ao palco com a banda para reproduzir os efeitos de sampler que havia feito no estúdio e lembro desse show como outro momento muito especial.

Palco Local: Que paralelo você faz entre o cenário do rock, independente ou não, na década de 1980 e o cenário atual?

José Augusto Lemos: No final de 1993, depois de 8 anos de Bizz, resolvi sair da revista porque havia perdido o interesse no rock. A última banda de rock que realmente me empolgou foi The Smiths, por isso podem me considerar um velho saudosista, que só gotsa de coisas antigas. Os anos 80 foram riquíssimos em bandas originais, com estilos muito diversificados. Depois disso, não consigo enxergar um panorama tão vibrante como tínhamos naquela época.

Palco Local: Está trabalhando em algum projeto que envolva música atualmente?

José Augusto Lemos: Estou escrevendo um livro sobre a música dos anos 80.

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