Psicodália 2018 e sua importância cultural, econômica e ambiental

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Psicodália 2018 (Foto: Diana Demarchi)
Psicodália 2018 (Foto: Diana Demarchi)

Longe das minhas impressões pessoais movidas pela emoção de haver participado da equipe de cobertura de um evento de tamanha magnitude, vamos a segunda parte da matéria escrita.

O Psicodália se mostra um festival grande, mas não exatamente por seu tamanho em estrutura e organização, mas mais pela preocupação que há por parte dos organizadores em gerar resultados positivos e conscientes, tanto na área cultural quanto econômica e ambiental.

O festival multicultural Psicodália acontece anualmente durante o carnaval na cidade de Rio Negrinho, situada no planalto norte de Santa Catarina e são seis dias de uma completa imersão em um universo cultural.

Cultura

Em 2018 o evento, que está em sua 21ª edição, ocorreu entre os dias 09 e 14 de fevereiro e reuniu aproximadamente seis mil pessoas, as quais tiveram a oportunidade de assistir shows com artistas consagrados na música brasileira como Lô Borges, Jorge Ben Jor, Zé Ramanho, Arrigo Barnabé, Banda Tutti Frutti, Som nosso de cada dia, bem como novos artistas que estão despontando no cenário nacional como Carne Doce, Boogarins, Joe Sihueta,  Francisco el hombre e muitos outros nomes novos que surpreenderam pela qualidade musical.

As atrações oferecidas ao público foram mais de 200, além dos grandes shows distribuídos entre os palcos Solar, Lunar, Guerreiros e do Lago, houveram atividades de teatro, cinema, esporte, recreação e inúmeras oficinas.

Economia

“Para ficar tudo pronto para os foliões uma cidade é erguida na Fazenda Evaristo e quase 1500 pessoas trabalham incansavelmente para que tudo ocorra da melhor forma possível”, diz Bina Zanette, diretora do Festival. Aqui temos um dos grandes triunfos do festival na área econômica, pois aproximadamente 300 empregos são gerados diretamente beneficiando a comunidade do município de Rio Negrinho.

Além dos empregos gerados direta e indiretamente a economia local recebe um incremento, pois há muita movimentação no município. E há ainda o comprometimento ambiental que, ao destinar corretamente todo o descarte gerado, reverte renda para a cidade.

Meio ambiente

Grande parte do público que frequenta o festival já é adepto de boas práticas ambientais  e ao adentrar os portões percebemos que esta é uma das principais preocupações e um dos pilares que sustentam o sucesso do Psicodália.

Ao longo dos dias do evento é possível perceber muitas pessoas circulando com um avental laranja e este é um dos destaques do festival, trata-se do Biodália – gestão ambiental que trabalha com três frentes: banheiro seco, composteiras e lixo zero.

“Trabalhamos para que o impacto ambiental seja o menor possível”, diz Rosângela Araújo, Coordenadora do Biodália.

Nesta edição, os dados disponibilizados até segunda, dia 12, são surpreendentes:

  • No banheiro seco foram recolhidos seis mil toneladas de resíduos e, destes, dois mil são de fezes (porque é misturado com serragem);
  • Teve uma economia de 60 mil litros de água só no banheiro seco;
  • Na parte orgânica, cerca de sete mil toneladas foram compostadas;
  • Já no reciclável, vale destacar que 400 lixeiras foram instaladas e oito toneladas de reciclados foram recolhidos.

“Temos ainda o uso do copo eco, que no dia-a-dia faz a diferença, reduzindo o uso de pets e copos”, diz Rosângela.

Oportunidade

Estar ligado ao festival e ainda ter a oportunidade de mostrar ao público seu trabalho é algo que faz parte dos planos de muitos artistas e só nesta edição, mais de mil projetos foram recebidos e outros 300 CDs foram entregues pessoalmente para a organização do Psicodália.

Cerca de 70 bandas subiram nos palcos e embalaram a galera nos mais variados ritmos e muita jam session rolando nas barracas e tendas do acampamento. Muitas bandas que mostraram seu trabalho são desconhecidas no cenário nacional e isso prova que o foco está realmente na qualidade musical que será apresentada ao público. Um bom exemplo disso é o Kiai, grupo de música instrumental da cidade de Rio Grande/RS, grupo de excelente performance musical formado em 2014 e com apresentações basicamente regionais.

“Tem que ser música autoral, boa, e, claro, com a energia do Psicodália. Tem muita banda que a gente gosta, mas não se encaixa no evento. A ideia é sempre manter o equilíbrio e ver também o que está na vontade do público”, explica Alexandre Osiecki, diretor e um dos fundadores do evento.

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