Um olhar sobre a carreira da banda The Replacements

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Por Mano Seixasrock

The Replacements tinha tudo para ser uma banda famosa… Com milhões de discos vendidos… Shows lotados pelo mundo afora.
Quis o destino (e uma puta dose de auto sabotagem) que eles ficassem relegados apenas a um seleto clube de ardorosos fãs (como sinto-me lisonjeado por fazer parte dele)….
Os Mats são originários da cidade de Minneapolis (que também revelou o genial Prince e o espetacular Hüsker Dü ao mundo) e foi formado pelos irmãos Stinson (Tommy (baixo) e Bob (guita)), o batera Chris Mars e um de meus heróis do underground (Mr Paul Westerberg nos vocais, guita e verve afiada)…
Falando em Dü, os primeiros lançamentos do Replacements tinham uma sonoridade bem similar ao lendário trio hardcore…. Uma diferença que percebo (apesar de ambas serem seminais), é que enquanto a banda de Bob Mould era mais “cabeça”, o Replacements era “vamos tocar o phoda-se… sempre”….
O som muda muito a partir do terceiro LP (o mais do que básico e essencial “Let It Be”)… A violência e velocidade conseguiram ser dosadas na medida exata em um power pop magnífico… Nascia o primeiro clássico…
O nível permanece altíssimo com outro discaço… “Tim” (que deveria ter sido produzido pelo semideus Alex Chilton do Big Star, mas que acabou sendo substituído pelo grande Tommy Ramone (sim, aquele))….
Começam as apostas sobre a próxima banda americana a ocupar o topo do trono pop….
Após assinarem com uma grande gravadora, o Replacements parecia ser pule de dez…..
Lançam um dos meus discos favoritos de todos os tempos… “Pleased To Meet Me”… Agora é só correr para o abraço….
Só que não…. Eles insistiam em se apresentar bebacos… ou sob efeito de substâncias ilícitas até o talo…(sim, é lógico que é rock’n’roll kct!!!! mas não dava para maneirar um pouco?)….
Muitos afirmam que o ponto crucial da derrocada foi uma apresentação ao vivo no começo de 1986… No programa Saturday Night Live… Eles realmente pareciam estar em outra esfera…. E o Westerberg soltou um baita palavrão em horário nobre…. Começa o boicote….
Outro quesito que ajudou demais nesse “insucesso” da empreitada foi a recusa da banda em fazer clipes… Isso era uma heresia ainda mais na época do “imagem é tudo” da MTV dos 80’s….
Ainda tentaram um última cartada lançando o ainda ótimo “Don’t Tell A Soul”…. Banda parece “limpa”… Aceita gravar e lançar clipes…. E até fazer “concessões” em seu som (poucas ok?)….
Mas não teve jeito… O bonde do sucesso já havia passado…. E um tal de R.E.M. acabou ocupando esse espaço (e digamos que o fez por merecer demais… a carreira deles fala por si só)….
Após lançarem um último disco que foi um tremendo fracasso em todos os sentidos, Westerberg lançou-se numa quase bem-sucedida carreira solo (inclusive estreou com o pé direito na trilha sonora do filme “Singles”) e continua lançando discos até hoje….
Uma grande e incompreendida banda do coração…..
E lá vamos nós novamente com “Nevermind”, “I Will Dare”, “Bastards Of Young” e “Alex Chilton” no talo…. Eles merecem…